NNEKA

Palco: Matriz Map
27 Junho, 22:15

O melhor reggae, afrobeat e hip-hop em embalo feminino

O novíssimo álbum de Nneka, editado já neste ano de 2015, chama-se “My Fairy Tales”. Mas não se pense que o título – bem menos pesado ou dando, de imediato, uma ideia sobre o seus propósitos políticos e sociais imediatos quanto os nomes de discos anteriores como “Victim of Truth”, “No Longer at Ease” ou “Soul Is Heavy” – retrata o eventual “conto de fadas” de uma rapariga nascida na Nigéria, que chega à Europa para estudar e que depois conquista o mundo com a suas canções. Não. As questões políticas, ambientais, de género, de etnicidade, continuam todas lá e, se “conto de fadas” houver aqui é aquele, que como todos os outros, termina bem: Nneka, a rapariga de que falamos, teve sempre como principais ingluências musicais o seu conterrâneo Fela Kuti (esse, o inventor do afrobeat), o deus do reggae Bob Marley, a diva transversal a vários géneros de música negra Lauryn Hill, a referência do jazz Nina Simone e os rappers Mos Def, Talib Kweli e Mobb Deep. Porque nela, em Nneka, reconhecemos todos eles e, mais ainda, uma mulher cheia de garra e talento que um dia, quando esta história acabar, ombrear de igual para igual com todos eles.

A cantora e compositora nigeriana Nneka – de seu nome completo Nneka Lucia Egbuna, nasceu na véspera de Natal do ano de 1980, na cidade petrolífera de Warri, no delta do rio Niger – onde este mítico rio africano que passa por vários países da África Ociental está a quase a encontrar o Oceano Atlântico. Na adolescência apaixonou-se, e à semelhança de muitos milhares de jovens da sua geração na Nigéria e em toda a África, pelo hip-hop, mas ao longo do tempo foi abrindo também as suas preferências afectivas e musicais ao reggae, ao afrobeat, ao jazz, à soul, ao funk, ao highlife… E, em Hamburgo, na Alemanha, para onde se mudou – e onde ainda hoje reside – para estudar Antropologia, iniciou a sua carreira musical em 2003, ao lado do produtor de hip-hop DJ Farhot – que viria a ser o seu companheiro musical durante muitos anos – e gravou, em 2005, o seu primeiro álbum, “Victim of Truth”. Um disco inesperadamente adulto e coeso que revelava já todos os caminhos sonoros, estéticos e ideológicos que depois seriam ainda mais bem desenvolvidos em álbuns como “No Longer at Ease” (2008), “Concrete Jungle” (2010) e “Soul is Heavy” (2012). Centenas de concertos e vários galardões depois (na Alemanha e em África), uma etapa há muito desejada – a criação da organização humanitária The Rope Foundation, em 2012 – ou o convite para participar no Lilith Fair Concert, em bandas-sonoras para filmes ou para integrar a selecção oficial de artistas que deram voz ao CD do Mundial da África do Sul, fizeram de Nneka uma artista maior, mais madura e também mais livre.

“My Fairy Tales” é o espelho de tudo isso. Desde há muito uma mulher adulta, de corpo inteiro e com as ideias – musicais e ideológicas – absolutamente definidas, o novo álbum mostra Nneka a regressar às raízes do reggae e ao eixo ganês-nigeriano do highlife e do afrobeat e a cantar sobre a sua experiência enquanto mulher e cantora africana na diáspora. E, de diáspora, sabemos nós portugueses também muito bem.









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