BALOJI

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27 Junho, 23:15

Toda a tradição congolesa passada pelo crivo do hip-hop

A rumba congolesa, transversal aos dois países que têm Congo no nome – a República Democrática do Congo (ex-Congo Belga, ex-Zaire) e a República do Congo --, descende da rumba cubana, que entrou em África há cerca de cem anos e que, nestes países, ao longo das décadas se foi transformando num género próprio, regional, amado nos dois territórios, nos países vizinhos e um pouco por todo o mundo. Nos anos 50 e 60, artistas como Franco (e o seu grupo TPOK Jazz), Tabu Ley Rochereau, Papa Wemba, Le Grand Kalle, Papa Noël ou o angolano, refugiado no Congo, Sam Mangwana, foram os criadores de um estilo que infectou, no bom sentido, muita música ao seu redor. O semba angolano, o highlife do Gana e Nigéria, os soukous (nome que se deu à rumba electrificada) ou o kwassa kwassa não existiriam da mesma maneira sem o ensinamento desses grandes mestres, assim como não existiriam da mesma maneira, em anos mais recentes, nomes como os de Kanda Bongo Man ou Zaiko Langa-Langa, dos Staff Benda Bilili (entretanto desaparecidos), de Baloji ou até dos norte-americanos Vampire Weekend.

Baloji nasceu em 1978, na cidade de Lubumbashi, República Democrática do Congo, mas com apenas três anos acompanhou o pai para o país onde reside ainda hoje: a Bélgica. A morar em Liège, Baloji sai de casa aos 16 anos e começa a dedicar-se ao hip-hop, integrando o importante grupo Starflam, onde responde pelo nome artístico MC Balo. Em 2004, e apesar do sucesso (o seu álbum “Survivant, de 2001, foi tripla-platina nos topes belgas) Baloji abandona o grupo e durante algum tempo afasta-se das actividades musicais. Mas um concurso de poesia que venceu em Paris, França, e uma carta que lhe foi enviada pela mãe – que ele não via desde que se tinha mudado para a Europa com o pai -- impulsionaram a sua actividade musical futura. O primeiro álbum a solo, “Hotel Impala” (2008) é um missiva em forma de disco dedicada à mãe. E, um ano depois, Baloji regressa ao país de origem para aí reencontrar a mãe e as raízes, sorver a inspiração da música tradicional congolesa, principalmente das rumbas, e fazer música com alguns dos seus nomes mais proeminentes. O resultado foi o álbum “Kinshasa Succursale”, editado em 2010, que lançou definitivamente o MC, cantor, compositor e produtor Baloji na primeira divisão da world music mundial.

Em “Kinshasa Succursale” – que continua a apresentar ao vivo, ao lado de temas mais antigos e algumas novidades que irão integrar o seu próximo álbum, “Kaniama Avenue” – Baloji está entre Marvin Gaye e o lendário guitarrista congolês Franco, os soukous e a cena hip-hop franco-belga, os Konono Nº1 e Blitz The Ambassador. E com funk, electro e balafons à mistura. Isto é, entre a Bélgica onde viveu mais de trinta anos da sua vida e a República Democrática do Congo, o rapper Baloji faz neste álbum uma viagem de “ida e volta” em que se une aos Konono Nº1, Zaiko Langa-Langa e ao extraordinário grupo coral La Grâce e assina um disco de síntese que é uma outra carta apaixonada. E desta vez não só à mãe, como também à sua Terra-Mãe.









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