KARYNA GOMES

Stage: Cerca Map
27 June, 21:15

Revelação luminosa da nova música guineense

Ao contrário do que se passa com a música de outros países de língua oficial portuguesa como o Brasil, Cabo Verde, Angola e até Moçambique, a música da Guiné-Bissau não é muito conhecida em Portugal. Mas é pena: desde géneros tradicionais específicos e locais que deveriam ter uma visibilidade (ou melhor, audibilidade) muito maior como o gumbé, kussundé, tina e tinga aos artistas que difundiram estes ritmos e/ou os transformaram, dos seminais José Carlos Schwarz, Cobiana Djazz, Super Mama Djombo, N’Kassa Cobra ou Super Camarimba aos mais recentes
Manecas Costa, Eneida Marta, Guto Pires ou Kimi Djabaté. E, neste movimento de rejuvenescimento mas também de amor profundo pela tradição, a cantora e compositora Karyna Gomes é o mais recente flamejante cometa, com um álbum de estreia, “Mindjer”, a colocá-la de imediato na linha da frente da música guineense.

Karyna Gomes (Karyna Silva Gomes Serqueira) nasceu em Bissau, capital da Guiné-Bissau, em 1976, e passou a sua infância a ouvir a música local nos quintais onde os seus pais – ele guineense, ela cabo-verdiana – participavam nas festas da família e dos amigos. Nessas farras, e em casa, ouvia-se música da Guiné-Bissau e dos países vizinhos (Senegal, Mali e, claro, Cabo Verde) mas também do Brasil, de Cuba, dos Estados Unidos (jazz, soul). Ela, pelo seu lado, começou a desenvolver um gosto especial pela pop e pelo R&B e a admirar Michael Jackson, Whitney Houston ou Toni Braxton. Mas, se foi em Bissau que se apaixonou pela música, foi em S.Paulo, no Brasil, para onde foi estudar Jornalismo, que começou a ter uma actividade enquanto cantora mais regular, integrando o grupo de música gospel Rejoincing Mass Choir, em 1997. Oito anos depois, de volta à Guiné-Bissau, começa a apresentar-se a solo em concertos e, em 2007, integra o histórico grupo Super Mama Djombo, tendo gravado um álbum com esta banda e feito com ela várias digressões internacionais. E, pelo meio, ainda colabora – em Cabo Verde – com Princezito e Diva Barros. Desde 2011, radicada em Portugal, Karyna Gomes participou em concertos do popular cantor angolano Bonga e do rapper Boss AC e, há dois anos, atreveu-se a enviar umas “maquetazitas” para uma editora emergente de música portuguesa e africana, a Get! Records, com as suas canções. E o disco que depois daí resultou – depois de um aturado trabalho de estúdio por parte de Karyna e dos seus produtores e músicos é uma enorme e admirável surpresa.

“Mindjer”, o álbum, faz uma sentida homenagem às mulheres guineenses. Mas “Mindjer” – que significa mulher em crioulo da Guiné-Bissau – transporta em si igualmente um amor profundo de Karyna pela música tradicional da sua terra (há aqui gumbés, kussundés, temas compostos por nomes importantíssimos da música guineense como José Carlos Schwarz ou o fundador dos Super Mama Djombo, Zé Manel Fortes). Paralelamente, Karyna Gomes abre também a sua música ao mundo, notando-se nele o seu apreço pela música cabo-verdiana, latino-americana, brasileira ou congolesa e também pela soul e pelo funk. Com o seu conterrâneo Manecas Costa (baixo e guitarras) a ter presença em quase todas as faixas e com outros músicos guineenses (Ibrahima Galissa na kora) e portugueses (como Paulo Borges e Luiz Caracol) a ajudar, Karyna Gomes está a levar a música da Guiné-Bissau a outra dimensão.









Organization

Media Partners


Partners