FERRO GAITA

Stage: Matriz Map
27 June, 00:15

Os mestres do funaná encontram um dos seus discípulos

Raramente o nome de um grupo musical fez alguma vez tanto sentido e resumiu tão bem a música que fazem quanto o dos Ferro Gaita. Porque os Ferro Gaita praticam um género, o funaná, que tem como instrumentos de base: o ferro e a gaita. Expliquemos: o ferro é um instrumento de percussão friccionado, um primo do reco-reco ou da dikanza angolana, mas feito de metal e com uns trastos que lhe dão o seu som característico e que apela imediatamente à dança. Já a gaita, que dá o lado melódico do funaná, não é nem uma gaita-de-foles nem uma gaita-de-boca (ou harmónica). É sim, um acordeão ou uma concertina, que em algumas regiões de Portugal e do Brasil e em Cabo Verde são conhecidos como, exactamente, gaita. E a banda que sobe hoje ao palco Matriz do Med de Loulé, os Ferro Gaita são um dos seus maiores e mais significativos expoentes.

O funaná – que, ao lado da morna, da coladeira e do batuque é um dos quatro mais importantes ritmos tradicionais cabo-verdianos – pode ter nascido no início do Séc. XX, com a chegada a Cabo Verde das primeiras concertinas e acordeões, levados para estas ilhas africanas pelos portugueses. E o próprio ritmo, devedor de ritmos populares portugueses (e de outros países da Europa) e de ritmos ancestrais africanos, é uma espécie de “crioulo” musical tal como os outros géneros atrás referidos. Uma mistura quase perfeita que, em todos eles mas especialmente no funaná, apela à dança no seu estado mais telúrico, natural e primevo mas que serve também, muitas vezes, para reflectir – nas suas letras – sobre a vida, o sofrimento, a alegria, o sexo ou a realidade sócio-política que rodeia quem o canta e toca. Nos anos 70 com os seminais Bulimundo e nos anos 80 com os também importantíssimos Finaçon, o funaná saltou aos fronteiras de Cabo Verde e chegou ao exterior, com concertos destas duas bandas a espalharem este ritmo contagiante por outros países do mundo – um ritmo que, aliás, continua bem vivo e a cruzar-se actualmente com outros ritmos exteriores como o hip-hop ou a kizomba. E, em 1996, nasce aquele que é hoje em dia o maior grupo embaixador do funaná em todo o mundo: os Ferro Gaita, que foram e vão às raízes do funaná para dele extrair um som mais cru e mais tradicional: enquanto os Bulimundo, Finaçon e outros usavam também órgãos e guitarras eléctricas, os Ferro Gaita optaram e optam para, ao ferro e à gaita, juntar apenas baixo, bateria e percussões (para além de, pontualmente, uma secção de metais).

Agora, depois de em 2008 terem concretizado um sonho antigo – a criação de uma escola de música tradicional com o seu nome – e de vários álbuns de originais que criaram um novo paradigma para o funaná e géneros similares como “Fundu Baxu” (1977), “Rei di Tabanka” (1999), “Bandêra Liberdadi” (2003), “Cidade Velha” (2008) e “Cidade Velha” (2008), os Ferro Gaita vêm ao Med de Loulé apresentar o seu novíssimo “Festa Fora”, editado em Maio de 2015. E, neste palco, estarão o líder de sempre do grupo, Estêvão “Iduíno “ Tavares (gaita, voz, búzio e coros), acompanhado por Mário Mendonça (baixo), Bino Branco (ferro, voz e coros), Manel di Tilina (percussões, voz e coros), Luís da Veiga (bateria), Pitó (trompete, chocalho e conchas) e José Varela (trombone). E, ainda um convidado muito especial, o cantor luso-cabo-verdiano – e nascido aqui ao lado, em Quarteira -- Dino D’Santiago, que o ano passado apresentou neste festival o seu surpreendente álbum de estreia, “Eva”.









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